Senhora de cabelos branquinhos, nascida em 1900 no interior de São Paulo.

Cozinheira de mão cheia. Fazia pães, bolos e biscoitos deliciosos, dentre outros preparados.

O principal ingrediente usado nas “poções mágicas”, chamadas de alimento, foi a dedicação.

A sua casa de madeira, varanda decorada por rosas e jasmins, quintal grande com horta, pomar, forno de barro, galinheiro e um enorme pé de Jatobá, que podia ser visto de qualquer ponto da cidade, estava sempre cheia de gente. Vizinhos, filhos, noras, netos, amigos, e exalava os perfumes de café fresco, pão caseiro e ervas naturais.

Dona Ana Cândida cheirava alfazema. Recebia a todos com abraços aconchegantes.

Lembro-me de uma cena inesquecível. Eu tinha uns quatro anos.

Chegávamos, da capital, eu e minha família. Desci do táxi correndo. Entrei e fui em direção ao quintal. Ela estava na porta da cozinha. Gritei: “Vó, eu cheguei!

Ela me pegou no colo, deu um abraço forte, quente e amoroso.

A sensação foi a de que aquele abraço durou horas. Neste momento sinto a mesma emoção.

Quando estou cansada ou levemente triste me lembro deste momento. Tudo fica mais leve e fácil!

Minha avó tinha generosidade sem limites. Raramente ficava com os presentes que ganhava. Fazia questão de dar para outra pessoa. Sua maior lição foi o desapego aos bens materiais. Vivia de modo simples com o auxílio dos filhos mais velhos.

Dedicava tempo pela manhã, ao meio dia e às dezoito horas, todos os dias, à pratica da solitude. Vibrava amor através de sentimentos e pensamentos para todos que conhecia. Sua religião foi o dom especial de servir às pessoas, sem esperar nada em troca.

Hoje, quando medito, uso de ervas medicinais, observo as noites estreladas, sinto o cheiro de terra molhada depois da chuva, tomo chá de hortelã e faço massagem com óleos, me lembro dela.

Sábia anciã. Ensinou o verdadeiro sentido da vida. O valor de um abraço quente e aconchegante. De coração para coração!

Faleceu aos cento e seis anos, há alguns anos.

Virou Anjo!!!

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