Ao checar as mensagens no whatsapp, agora à pouco, me deparei com uma provocação, no bom sentido, feita por Cris Crespo, amiga e parceira de reflexões sobre a vida e os processos de desenvolvimento humano.

Ela pediu minha opinião sobre matéria veiculada em um canal de TV aberta.

O discurso da reportagem propunha a adoção da meritocracia no sistema educacional brasileiro.

Senti dor nos ouvidos… mas a dor maior surgiu no coração!

Minha experiência profissional foi e continua sendo embasada na área da educação. Não falo de um lugar imaginário ideal.

Imediatamente busquei na memória as aulas de História da Educação, que lecionei para alunos do ensino médio, quando ainda nem havia concluído o curso de Pedagogia.

A origem da educação formal instituída no país está fundada no conceito de que aquele que sabe mais ensina aquele que não sabe nada.

Desbravadores europeus “descobrem” o Brasil e “ensinam” a comunidade indígena “selvagem”.

De lá para cá o que mudou?

Pensadores e educadores brasileiros fizeram e continuam a fazer reflexões, a promover práticas que vão contra o “status quo”. Situação alimentada, ainda, por uma elite de supostos pensadores, que não sabem o que é educação, não têm os pés na sala de aula, desconhecem a estrutura cultural, social e política que massacra e exclui educandos, educadores, pais, gestores e todos os profissionais atuantes no setor.

Segundo a Wikipédia: Meritocracia (do latim meritum, “mérito” e do sufixo grego antigo κρατία (-cracía), “poder”) [1] é um sistema de gestão que considera o mérito como a razão principal para se atingir posições de topo. Segundo a meritocracia, as posições hierárquicas devem ser conquistadas com base no merecimento, considerando valores como educação, moral e aptidão específica para determinada atividade. Constitui-se numa forma ou método de seleção e, num sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia governativa.

Reforçar o discurso da meritocracia ou este modelo ideológico na Educação Brasileira é continuar com os pés, mente e olhar fincados no ano de 1500, supostamente, quando o país foi des-coberto! Mantendo a exclusão, a dominação, o dominado, o fracasso.

O fracasso dos educandos em todos os níveis de escolarização é um reflexo do fracasso de uma sociedade que não se valoriza, com baixa autoestima, coloca-se no lugar de vítima, aceitando esmolas oferecidas por programas sociais, com falácias de empoderamento.

Não aceito e não acredito na Meritocracia!

Atuo profissionalmente com verdade e clareza para ir contra este discurso.
Acredito que todo ser humano pode alcançar seus sonhos, objetivos de vida, independente das condições adversas em que se encontra, bastando para isto libertar-se.

Existem caminhos, recursos e muitos grupos, comunidades, associações e instituições apoiando o desenvolvimento integral de qualquer um que queira Ser mais, do que os limites e crenças impostos pela sociedade ou por si mesmo.

Então fica a pergunta: o que fazer com os que não são considerados bons, do ponto de vista de quem se considera o máximo? Não merecem escalar a montanha da realização pessoal? Locar todos num bote inflável e deixar à deriva, no oceano? Construir um muro protetor e isolar os “fracos”? Está é a sociedade do século XXI que queremos?

Será que estamos no século XVI, num sonho onírico, vislumbrando o futuro…

Semana que vem publicarei o artigo Ser Mais, onde exploro o assunto, por outro viés!

Gratidão, Cris… pela agradável provocação!

Anna Maria de Oliveira

Owner e Desenvolvedora de Projetos
Confluência Projetando Saberes

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